sexta-feira, 4 de julho de 2014

   Os dias tem sido duros comigo. As vezes sinto como se não fosse conseguir, penso no futuro, sobretudo, vivo o agora, mas ele não tem confortado o bastante. Não me acho em mim, e se acho, perco. Sinto que falta algo, acho que falta tudo, ou só alguém pra aliviar a dor que tem sido sobreviver. Não produzo, insisto, sinto saudade, não confio. É líquido. Sei que o tempo muda a cada suspiro, mas sinto a eternidade em um milésimo de segundo. Sonhar tem sido loucura. A solidão esmaga. A maré baixou. Espero a lua sair e trazer a paz de um mar cheio, revolto, com vida. Espero a esperança de uma onda a quebrar meu corpo.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Não ser.

Saudade dos sorrisos nas madrugadas.
Dos carinhos do dia.
Das cartas gravadas na memória.
Do amor que corria naturalmente nas veias.

O amor já passou. Mas o coração ainda chora na impossibilidade de ser.
Outros braços, outros carinhos, outras respirações, outras madrugadas, outros dias.
Nenhum igual ao teu.

Nada me rouba como você.
Nada me traz a mim como você.
Amar é uma atitude corajosa,
amar depois do amor é solidão.
Mas, mais ainda,
é a dor de se reconhecer em alguém que não é mais.

Só. Dó. Dor.

Grande Mundo

O mundo é grande, Raí.
O mundo é dono dos oceanos que não cabem em mim.
Dono dos céus que vivem além de mim.
Tão grande, Raí, que se divide em mim e em ti.

Mas pra aproximar toda a distância basta alguém dizer do outro lado do mundo grande que a saudade aperta.
Ah Raí, nessa hora não tem mundo grande certo que segure o coração do poeta.
Coração maior que o mundo.
Coração que começa a inflamar pra dizer que o mundo é grande,
só não é maior que o amar.

domingo, 18 de agosto de 2013

Ali estávamos sós.
Ali onde a calma repousava sobre nossos corpos
e a cidade lá fora gritava em uma noite de sábado.
Boates, bares, sarais e festa.
E nós perdidos entre colchas e aconchego. Sós ali.
Me via em suas pupilas dilatas, um espelho próprio,
um mundo meu dentro do teu. [Reflexos]
de uma dia bom e de tempos de paz.
Ali as horas passavam desnudas pela nossa pele,
aquela noite poderia invadir o dia,
porque naquele momento minha mente estava só [ali].

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Verão

   Uma vez escutei falar que as taxas de suicídio aumentam no verão. Não pelo calor, ou acidentes, mas porque é nessa estação que todos se reúnem e saem em busca de diversão. Então é nesse momento que os solitários se percebem sós. Ando no verão. Me pego pensando em todas as relações que posso chamar de minhas. Porém, penso especialmente nos amores. Todos aqueles que não tenho mais e por isso reflito. De uma vida curta, muito pequena ainda, apenas vinte anos, mas idade suficiente para desamores de uma existência toda. Não sei se por um narcisismo não assumido ou uma verdade plena, me vejo como uma pessoa cativante, daquele tipo que dificilmente um desafeto virá de uma atitude partindo de mim. E vejo também uma pessoa que não gosta de complicações ou brigas desnecessárias. Aí paro e penso: Por que sou só? Só no sentido melancólico mesmo, de dor e reflexões.  Sempre acompanhada mas sempre, também, em condições postas. Nunca naquele amor que parte do ideal romântico de “amor para vida inteira”. Não, não digo nunca, contudo, quase sempre. Contabilizo três amores desse modo. Todos acabaram. Um pela pouca idade e imaturidade da adolescência, outro pelos novos tempos de liberdade, onde não cabe ser só de um amor, e o ultimo por objetivos maiores de uma vida a qual eu não tenho um espaço reservado. E, claro, tive muitos outros pequenos romances, que não se fazem vivos hoje pela própria natureza do interesse. Ah, ainda devo dizer de um atual que ainda nem sei o que é, mas tenho impressão de terá o mesmo destino dos outros. Não pelo fato de falta de vontade de minha parte, mas a criatura que me envolvo atualmente (nem sei se envolver é uma palavra correta, pois, a meu ver, para isso é necessário reciprocidade), mas pela sua essência de ser livre demais, tem o mundo em mente e quem sou eu para ser um mundo capaz de ofuscar o mundo real. E é exatamente nesse ponto que acho o centro da minha reflexão: a liberdade. Ora, logo ela que tanto adoro e prego, ela que acho ser a condição para a existência de qualquer relação. Ela sim, a liberdade que tanto louvo é a mesma liberdade que me deixa em verão. De todos amores que vivi acabaram pela liberdade que dei ao outro. Sempre deixo a liberdade de escolha de me amar ou não, de querer ficar comigo ou não, de querer ir ou não. Sempre digo que o outro é livre para construir a relação que se sentir a vontade. Esse é o problema, é difícil admitir uma carência, mas de toda essa liberdade que dou no fundo o que mais suplico é o estar junto. O fator liberdade é a vontade de que seja espontâneo, não gosto de forçar nada a ninguém, porém, tem me parecido que as pessoas interpretam isso como indiferença ou que aqueles que forçam sentimento o conseguem. É complicado pensar nisso tudo porque, na verdade, até que ponto o problema não está comigo também? Até que ponto tudo que sofri até hoje foram expectativas desnecessárias de um Eu em falta? E se for assim, como mudar? E só de pensar no quanto a vida é longa e quanto esses ciclos de identificação, cortes e necessidade de sublimação vão se repetir me dá uma aflição... Mesmo assim creio que não devo pensar nesse futuro. Enfim, só vivendo e chegando ao fim da vida para saber, ou talvez nunca saiba o porquê desses desamores constantes. Talvez tudo isso não passe de ridículas reflexões de uma noite de inverno com uma pessoa em verão. 

sábado, 20 de abril de 2013

O sertão e o mar.

Quando o sertão encontrar o mar será avassalador, sem regressos.
O frio gélido de um mar prepotente se esquentará por um sertão que sabe ser quente.
A água varrerá o que foi triste naquele chão seco e escasso, trará flores ao que é galho sem cor.
A sutileza de uma onda deixará desnudo o sertão e toda sua dureza.
Sereia esbarrará em seres do subsolo.
Encontro lindo pra quem sabe ver. Completude e simbiose para o fim de duas solidões.
Vida ao sertão e realidade ao mar.
Sinestesia entre som e toque. Cores e cheiros. Mar e sertão hão de ser um numa imensidão de dois.
No dia que o sertão encontrar o mar, o mundo vai saber o que é junção, o que é gratidão. O que é completar. O mundo saberá o que é amor, mas antes, quando o sertão encontrar o mar o mundo vai aprender o que é mundo, o que é humanidade. Dividir.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sublime

Naquela noite nós dois flutuando em águas frias, olhando o céu e toda sua grandeza em nuvens.
Que na imaginação tomavam formas de dragões, sorrisos e nada, afinal o nada também é alguma coisa. Naquela noite em que a lua era o guia dos nossos olhos e mentes, pra iluminar e dizer que o universo é muito grande, mas maior era a minha sorte de estar ali, só, contigo.