sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Na janela vi de perto um arco-íris logo ali do lado do lixão.
No lixão um menino.
Cores no chorume.
Extremos de vida.
Vida no fim do ciclo.
Desigualdade de objetivo.
De um lado arco-íris vivo,
do outro, menino no lixo.
Qual a perspectiva da beleza quando a cor invade o fim?
A cor vira o lixo? Ou a tristeza vira arte?

Quero falar sobre a casa vazia, do frio dos dias e da solidão.
Quero parar com os imperativos dos dias,
com toda essa agonia de uma vida sem paz.
Quero saber do aconchego de amores que virão,
amores que serão a razão de sonhar.
Deixa tudo onde está,
deixa a chuva cair
e o café esfriar.
A vida, meu bem, é pra quem sabe lidar.
No silêncio predomina o tudo.
Todas as possibilidades se tornam reais.
Do gozo ao martírio.
Os universos moram no silêncio.
Há um tempo atrás escolhi um caminho que mudaria minha vida, mas escolhi sem saber.
Optei por ser do mundo. Aprendi a me deixar por onde eu passar.
Hoje sou apenas pedaços de mim.
Pedaços que se renovam e trocam todos os dias. Aprendi a entender que a vida é bem maior quando nada faz sentido. A esperança de que um dia o faça, alimenta.
Vi no mundo muito desamor e tristeza. Vi em mim também.
Sobretudo, vi paixões extremas e vida. Em mim também.
Aprendi com o mundo que quando se escolhe ser livre, o magnetismo da liberdade vem.
Ainda o mundo me ensina a viver todos os dias.
Ainda busco os pedaços que faltam em mim.