domingo, 6 de maio de 2012

Redenção à loucura

Ontem eu não vi a lua. Todos a saudavam como um ritual pagão de adoração a natureza, porém, eu não. Estava andando de cabeça baixa e a gravidade me obrigava a só perceber o mundo abaixo dela. Isso me trouxe redenção, porque quando o ser humano se limita ao submundo do real ele experimenta a loucura. E digo loucura no seu sentido literal. O terror toma conta do ser. Todo o controle que você acha que tem sobre si se esvai, a loucura dói. Quase uma crise de histeria de cinema- perda de movimentos, presenças imaginarias a seu redor, tontura na percepção do mundo e outros sintomas de não-controle do ser. Experimentei dolorosamente a loucura e não vi a lua. Diante do acontecido meu eu se tornou dúvidas, cujas já existiam, todavia agora são intensas, de modo que não respondidas ou esquecidas levarão a loucura perpétua. Espero, de fato, a claridade da lua pra iluminar a escuridão que esse dia trouxe a minha mente. Olharei o satélite, pois. Adorarei o ritual assim como os outros e espero que isso me traga esclarecimento.

terça-feira, 6 de março de 2012

Outro conto sobre a relatividade do tempo

O olhar para trás faz você perceber o quanto o que marcou se faz presente no ontem e sempre. Passaram-se dois anos e parece que há algumas horas, na grama da rua, aquela voz rouca, descompassada e insegura me falou: " Não sei que rumo tomou nossa vida. Você já não é a mesma, nossas realidades já não se cabem. Melhor a gente se encontrar em algum espaço no futuro." Nesse momento, pra mim, o tempo parou. A relatividade da sua essência tomou o pior sentido. O medo se faz presente e o passado se tornou hoje perpetuo.

Dias Brancos

 Dias brancos invadem a minha rotina, as fazem um tanto mais difícil.Ninguém na rua, tudo numa só cor, nada vívido. O simples fato de ser só torna-se solidão. Previsões aconselham ficar em casa, mas o que fazer quando seu mundo particular se resume a um comodo, um café no canto da mesa e o profundo olhar pra si?
 Procuro abrigo, não acho. Procuro sorrisos, estão escondidos em faces glaciais. Quero cor, tudo branco. E sobre o som? Silêncio. Transformo-me em casulo e percebo mundo em mim, porém, eu em nenhum mundo. Pertenço a mim mas meus pensamentos são construtos dos outros, e mesmo assim ainda meus. Enquanto traduzo pensamentos em palavras o silêncio de outrora é quebrado pelo gritante tic tac do relégio. Soa como bomba eterna. E em todo caos de pensamento tenho calma. Dias brancos passam paz na visão e fúria em reflexos de mente.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O vento se torna espiral
enrola teu cabelo, dá nó no meu olhar,
ficar com você é ficar bem.

Caminhar ao teu lado é minha escolha,
me acolha no teu colo.
Cheiro que transforma pensamentos,
se fazem lentos só pra ti.

Banal ao avesso
você é sossego
início e sempre meio.
Sem fim, enfim, meu bem, com você estar se torna amar.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Balões

Da minha mente brotam balões.
Voam longe, levando pedaços de pensamentos.
Entregam-se ao vento, voam, voam.
Lá no alto vivem.
Vagueiam como sua origem.
Estouram.
Chuva de pensamentos.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Não há ciclos

 É só na hora da morte que você percebe o quanto a vida vale a pena. E também percebe, de fato e verdade, que tudo que se define por matéria fica aqui. O que antes era sua vida, seu ser, em um momento rápido se transforma apenas em carne podre. Tudo fica. Seu corpo, sua casa, seus papéis, seus amores. O que resta? Lembranças na memória de quem permanece em vida. Mas é angustiante saber que suas lembranças também irão embora, cronos engole a vida e a morte. Depois de gerações que se passam você não existirá mais nem em retratos de parede, nem em memórias. Você sabe quem é seu tataravô? Conhece quem saiba? Pois é... Se é que o espirito permanece vivo, permanecerá sozinho pois até além há desencontros. É, meu caro amigo, mesmo que sobre lembranças, um dia tudo acaba. E é o fim de todos. Fechamento de ciclos inexistentes. Nada, absolutamente nada, é pra sempre. Ou ao menos lembrado pra sempre.

domingo, 22 de maio de 2011

Linear

Considerações Iniciais: 
1- No que eu escrevo não há linearidade e coerência.
2- Esse é um texto de dor de cotovelo.
3- Não me admito.
4- Estou ouvindo Último pôr-do-sol (Lenine)



21 de Agosto de 2010
 Do pecado nasce a constância de pensamentos. Pois é, sabe aquele dia que sua vida muda completamente? Se não sabe é porque seu dia ainda não chegou. O que de fato vale dizer é que esse foi o dia em que minha vida mudou. Se foi pra melhor ou pra pior, bem, não tenho certeza. O ponto é: A mudança trouxe certeza e dúvidas. Hoje tenho a certeza de que viver é algo incrível, e devo esse esclarecimento a alguém. Já as dúvidas que ficaram é exatamente sobre esse alguém. 

 Já na meiada da tarde, estava eu sentada atenta a qualquer bobagem que estivesse passando na TV. Escuto o portão abrir e percebo a presença dos novos vizinhos. Nada demais, ignoro. Momentos depois o sol estava tão perto de mim, aquela luz nítida e bonita saia do seu sorriso. Dali por diante, em mim, se instaurou algo bom, muito bom por sinal. Talvez não sinta isso nunca mais. A partir desse dia o tempo avançou de uma forma surpreendente. Talvez por insegurança eu não tenha expressado o que, de fato, eu sentia. Errei, pelo menos é o que eu acho. Ainda hoje tenho em minha mente seus gestos, seu sorriso, sua voz, suas bobagens, suas mentiras, seu cheiro, seu corpo, nós dois. Permaneço no erro. Sentimento assim só é bom quando é bilateral, talvez um dia até tenha sido, mas hoje sei que não é. Daria tudo pra te ter de novo, ninguém me faz tão bem quanto você me faz.
  Lembro do último dia que eramos um só. Dezoito de dezembro de dois mil e dez. A lua lá no alto viu o fim de camarote. Não o fim consolidado mas o começo do fim. De lá pra cá nunca mais saiu da minha mente "a lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos, por entre os dedos da minha mão". E o tempo que antes avançava freneticamente, hoje se faz lento. Admito, já tive muitos 'amores' nesse meio tempo mas lembro de você com frequência. Até posso dizer que no minimo uma vez por semana. Pelo que me parece você se infiltrou por cada lugar que eu passo, chama meu nome a cada esquina e quando eu olho ao redor, ninguém. E o fim da história? Não sei, acho que já acabou.


 Ainda escuto as ondas quebrarem nas pedras. Percebo que o pensamentos acerca de você permanecem vivos, tornam-se constantes e formam uma reta sem fim.