sábado, 20 de abril de 2013

O sertão e o mar.

Quando o sertão encontrar o mar será avassalador, sem regressos.
O frio gélido de um mar prepotente se esquentará por um sertão que sabe ser quente.
A água varrerá o que foi triste naquele chão seco e escasso, trará flores ao que é galho sem cor.
A sutileza de uma onda deixará desnudo o sertão e toda sua dureza.
Sereia esbarrará em seres do subsolo.
Encontro lindo pra quem sabe ver. Completude e simbiose para o fim de duas solidões.
Vida ao sertão e realidade ao mar.
Sinestesia entre som e toque. Cores e cheiros. Mar e sertão hão de ser um numa imensidão de dois.
No dia que o sertão encontrar o mar, o mundo vai saber o que é junção, o que é gratidão. O que é completar. O mundo saberá o que é amor, mas antes, quando o sertão encontrar o mar o mundo vai aprender o que é mundo, o que é humanidade. Dividir.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sublime

Naquela noite nós dois flutuando em águas frias, olhando o céu e toda sua grandeza em nuvens.
Que na imaginação tomavam formas de dragões, sorrisos e nada, afinal o nada também é alguma coisa. Naquela noite em que a lua era o guia dos nossos olhos e mentes, pra iluminar e dizer que o universo é muito grande, mas maior era a minha sorte de estar ali, só, contigo.

domingo, 18 de novembro de 2012

Saudade aperta e nem faz uma hora que te vi.
Nada é suficiente,
 nem tempo, nem calor, nem declarações, muito menos amor.
Porque você é imensidão e o que seria dela se um beijo acalmasse minha vontade te ter?
Quero mais, muito mais, sempre mais.
Amor,
por favor, seja pra mim manhã e noite.
Entre sem pena...
  na alma, no corpo, na vida.


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Mundo afora

Cada esquina um mundo
Cada ser um sorriso
que abrigo até hoje no meu peito.

Cada dia uma vida
que morre a cada pôr-do-sol.
Mundo pequeno que desvendo a cada sonho.

Andar, descobrir que a felicidade de uma existência se resume ao conhecer.
Conhecer pontes, rios, castelos.
Auroras, línguas, céus.
Rios, mares e ares.

Andar milhas e milhas. Desvendar mundos e quiça outrora parar.
Mas só se for para contar histórias.

domingo, 2 de setembro de 2012

Bem-vindo

Quando cansados meus olhos estavam dessa vida ingrata e cheia de desamores, relaxei. Sentei a sombra do dia-a-dia e deixei o viver fazer de mim sua casa. Fechei os olhos. Brisa calma te trouxe pra mim. Sempre ali você estava, mas o tempo, ah, o tempo, como de costume nos fez seguir linhas paralelas, onde nunca dois tinham-se feito um. Não que o querer-bem de uma amizade não seja intenso. Mas o querer-bem do toque, do sorriso mais perto, no fundo, sempre existiu em nós. O que faltava era a vontade do tempo, só ele cruza retas, traz sombras de descanso e acalma a visão cansada.

Agora o magnetismo dos nossos corpos suplica nossa junção. Sem pedir satisfações ao futuro, nem esclarecimentos ao passado. Sentimento bom só quer saber do "pra já", do estar perto, do sorrir do sorriso, do reciproco querer-bem. Bem-vindo.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Quero traço sem laço. Reta _________________________
Com cor, a flor, que vi em você.
Desabrochar.
O amor.
Que seja livre para querer voltar aos seus braços.
Vento, viajar e tocar.
Tua pele.
Como seda escorregar a favor da gravidade. Flor.
E se for o oposto, até tua boca escalar.
Depois de um beijo, sorriso.

domingo, 6 de maio de 2012

Redenção à loucura

Ontem eu não vi a lua. Todos a saudavam como um ritual pagão de adoração a natureza, porém, eu não. Estava andando de cabeça baixa e a gravidade me obrigava a só perceber o mundo abaixo dela. Isso me trouxe redenção, porque quando o ser humano se limita ao submundo do real ele experimenta a loucura. E digo loucura no seu sentido literal. O terror toma conta do ser. Todo o controle que você acha que tem sobre si se esvai, a loucura dói. Quase uma crise de histeria de cinema- perda de movimentos, presenças imaginarias a seu redor, tontura na percepção do mundo e outros sintomas de não-controle do ser. Experimentei dolorosamente a loucura e não vi a lua. Diante do acontecido meu eu se tornou dúvidas, cujas já existiam, todavia agora são intensas, de modo que não respondidas ou esquecidas levarão a loucura perpétua. Espero, de fato, a claridade da lua pra iluminar a escuridão que esse dia trouxe a minha mente. Olharei o satélite, pois. Adorarei o ritual assim como os outros e espero que isso me traga esclarecimento.